A recomposição salarial anual, prometida pelo Governador de Minas Gerais em diversas ocasiões, segue sem ser cumprida — especialmente para os veteranos e pensionistas da segurança pública, que enfrentam uma defasagem acumulada que já compromete gravemente o poder de compra e a dignidade desses profissionais.
Enquanto os militares da ativa passaram a receber quatro abonos fardamentos por ano e etapa alimentação mensal, veteranos e pensionistas não recebem nenhuma recomposição salarial e seguem sem reposições inflacionárias garantidas, aprofundando uma desigualdade que o próprio Governador afirmou querer evitar.
— O que disse o Governador, publicamente, em diversas ocasiões:
“É objetivo da minha gestão, nós já falamos isso inclusive publicamente, conseguir uma recomposição salarial anual. Ficar ali anos sem ter uma recomposição… no setor privado que eu venho, todo ano tinha. Não é assim no TJ, não é assim no MP, não é assim na Assembleia? O que é que aqui vai ficar cinco anos sem ter, oito anos sem ter? Então eu vejo que boa parte dos problemas surgem daí.
Então nós assumimos esse compromisso de que anualmente nós queremos fazer uma recomposição salarial. Senão você vai represando o problema. E todo ano tem inflação, o que é ficar três anos, quatro anos?”
A promessa é clara. O cumprimento, porém, não aconteceu.
Defasagem Salarial: a prova do discurso não honrado
Os dados mostram uma realidade que caminha na direção oposta ao compromisso assumido:
📉 Defasagem salarial acumulada (2015–2025): ~47,21%
💹 Inflação acumulada no período: 74,89%
💲 Reajustes concedidos pelo Governo entre 2019 e 2025: apenas 27,68%
Ou seja:
As perdas inflacionárias foram acumuladas, ampliadas e aprofundadas — exatamente o contrário do que foi prometido.
O “calote” no acordo de 2020
As entidades da segurança pública lembram que:
- O Governo assinou acordo garantindo três parcelas de reajuste (13%, 12%, 12%).
- As duas últimas, referentes a 2021 e 2022, foram vetadas pelo próprio Executivo.
- Esse veto é apontado pelos servidores como um calote institucional, que intensificou a defasagem atual.
Veteranos e pensionistas: os mais prejudicados
Enquanto a ativa recebe benefícios específicos — que não são criticados, mas reconhecidos como importantes — os veteranos e pensionistas enfrentam:
- Perdas acumuladas de mais de 40%
- Nenhuma recomposição anual
- Nenhum abono fardamento
- Nenhuma etapa alimentação
- Poder de compra corroído ano após ano
O que a categoria cobra não é privilégio, mas igualdade e justiça.
A contradição central
O Governador afirmou que:
- “Não se pode ficar anos sem recomposição”.
- “A inflação corrói o salário”.
- “É compromisso do governo recompor anualmente”.
- “Problemas surgem quando o Estado não reajusta”.
A realidade expõe uma contradição grave:
– O Estado não só deixou de recompor, como permitiu que a defasagem atingisse 45%.
– O problema foi represado por anos — exatamente como o Governador disse que não poderia acontecer.
O que o MIOSP-MG cobra
✔ Cumprimento da promessa pública do Governador
Recomposição anual, conforme anunciado.
✔ Reposição das perdas inflacionárias já acumuladas
Com base no artigo 37, X, da Constituição.
✔ Tratamento igualitário entre ativa, veteranos e pensionistas
✔ Respeito ao acordo de 2020
E retomada das negociações interrompidas unilateralmente pelo Executivo.
Minas Gerais não pode conviver com tamanha defasagem salarial em uma das áreas mais essenciais do serviço público: a segurança. A fala do Governador é registrada e conhecida.
A promessa é clara. O não cumprimento também.
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